a palavra #31
o mar me traz textos. só porque a mesma coisa muda em si, ela pode permanecer.
Pra começar, um textão
Escrevo deitada na areia. Em cima de mim uma sombra d’árvore e em cima dela um céu azul que tem ainda por cima um sol brilhante. Pauso a escrita pra registrar esse instante:


Vi que se popularizou o fato de que 2026 é pra numerologia é o ano 1. Um começo dentro de um começo. Curiosa fui logo saber da minha própria numerologia e combinar. 8 é o número que dá da minha data de nascimento + 1 que é o número de 2026, chegamos ao 9. Não me surpreende mas me faz espanto, assumo. Estou começando no fim. Finalizando no começo. Sei lá. A minha pesquisa-artística de vida tem a ver com ambíguos contradições e brincar com sinônimos antônimos. Acho muito minha cara aquariana ser um 9 dentro de um 1. O fim dentro de um começo. Juntar essas palavras-sentidos me interessa porque é assim que é, mesmo. Fimcomeço começofim é sempre junto.
Quando falo que escrever é uma atividade de qualquer lugar. Falo sério. Esse texto começou ali no mar, com o número 9 no pensamento, e agora que escrevo encontro a confluência: estou já fazem alguns dias aqui. Na praia. E pra uma mineira isso é grandioso demais rs. Acabo de contar, estou no nono dia. 9 é o tal número do meu ano dentro desse ano 1. Passei os últimos dias do ano e passarei os primeiros também no mar. Juntar o fim com o começo é essencial pra mim mesmo.
Nesses 9 dias não repeti praia e tiveram dias que fui em mais de uma. Assim como repetir tem efeito, não repetir também tem. O mar de hoje-aqui me trouxe esse texto que escrevo agora. Outros mares me trariam palavras outras, eu sei.
Começo a compreender que o mesmo mar são tantas praias. Fico pensando a terra como corpo. Cada parte do corpo convive com a água que a toca de um jeito. Tem formação que faz tombo, outras que fazem um raso imenso, areias de cores, texturas e temperaturas tantas. Ondas tão diversas. Algumas tímidas, outras boas de atravessar outras que exigem uma atenção plena e ainda assim dá bons caldos. Em alguns mares fui puxada pra dentro e noutros fiquei boiando sem nem sair do lugar.
É preciso confiar no mar. É preciso confiar em si. É preciso confiar no encontro pra se banhar em algo—alguém. E a mesma água, mesmo mar, quando toca em partes diferentes nossas faz a água ter outro jeito. Ainda sendo a mesma. Pra mergulhar, ainda mais confiança é convocada.
É preciso deixar tudo na areia com alguém que confia ou confiar em ninguém e ainda assim deixar “tudo” ali. Vamos bem nus ao mar. E vamos de frente. É preciso ir cara cara, olhar a onda. Perceber seu ritmo, sua força. Me parece dança. Não dá pra dançar um forró, uma valsa sei lá uma dança assim a dois tão envolvente de costas, é preciso ir de frente, tocar, ser tocada. Respirar perto, olhar, confiar no corpo, no encontro, na previsibilidade do imprevisível que se estabelece nesse tipo de instante.
Toda essa percepção grudou um mim porque estava ali no mar pensindo. Até que fui pensando em palavras (gostotanto). Pensando no nome dessas praias que encontrei e me convidam esse texto todo. Fui lembrando de coisas que já ofereci nome próprio, nunca nomeei pessoa, nem animal. Minhas plantas não têm nome.
Nomeio espacialmente processos, um deles chamo de Intimar a Escrita, são 5 encontros de mar. De mergulho, sei disso já faz um tempo, o que soube hoje é que o meu convite é de que entremos em cada dia num mar diferente. Os 5 encontros são cada um numa praia, feito o que tenho experimentado; algumas mais intensas de nadar e exigentes, até umas que nem dá vontade de entrar (encontrei uma assim aqui, e não entrei porque respeitar o limite é nossa jóia pessoal que deve sempre ser polida), outras que dá vontade de ficar ali o dia todinho. Sacar isso me conta mais sobre esse trabalho e como posso comunicá-lo.
Topar o Intimar a Escrita, grupo criativo terapêutico que conduzo, é topar entrar no mar. Em mais de um, soube hoje. Em diversos. Tudo isso me conta que nada nasce pronto e nisso ao invés de agonia deveria haver beleza. Não há nada que nasce pronto quiçá porque nada fica pronto mesmo.
O Intimar faz 4 anos nesse ano que é 1 e também 9 pra mim; e acaba de nascer de novo. Nesse tempo finalizei muitos projetos e trabalhos, que amei, que me amaram que brilharam meus olhos e que serão praias que guardarei lembranças mas não tô a fim de voltar. Começo o ano sabendo o que quero especialmente por saber o que não quero. Conduzir oficinas de escrita segue sendo a praia que quero visitar tantas vezes, encerrei o ano assim e talvez isso seja mais uma pista do laço que atenciosamente faço com fins-começos.
A coisa, qualquer que seja ela, se altera sempre. Tempo é o outro nome de mistério. Mudança é nossa única constante. Só porque a mesma coisa muda em si, ela pode permanecer.
Nota prática y listinha de praias
Meu ascendente em virgem busca padrões rs começo esse ano com um calendário anual feito, fiz com o cuidado de pôr tudo de precioso que quero viver e preciso criar esse espaço pra garantir antes de ser engolida pela rotina e perder esse brilho de começos que sopram na gente desejos. Recomendo essa atitude, visualmente olhas um calendário anual e encontrar dias (tempos) pra agendar o que desejamos. Tempo a gente cria e se não criar não tem.
Se você é dessas pessoas que curte organizar suas datas, já conto que conduzirei de forma on-line a próxima turma do Intimar a Escrita em março, pós carnaval, pré copa, eleições e tudo que viveremos nesse Brasil esse ano. Serão as 5 terças feiras do mês março às 19h! Deixe seu interesse pra ser avisada logo que a turma for aberta.
• Estou em Ubatuba/SP. Segue a listinha por ordem do que que visitei agora:
Praia do Presídio (Ilha Anchieta)
Praia do Sapateiro (Ilha Anchieta)
Praia do Engenho (Ilha Anchieta)
Praia das Palmas (Ilha Anchieta)
Perequê Açu
Praia Vermelha do Norte
Itamambuca
Puruba
Praia do Félix
Barra Seca
Prumirim
Praia Grande
Vir pra essa cidade é sempre poder explorar muito da sua imensidão e eu amo demais ter mata e montanha junto do mar aqui!
Inté
Obrigada você que dedica seu tempo e atenção as minhas palavras e suas danças! Que seja um ano alegre pra gente! Cheio de presença, ato que a escrita convoca. Beijos! Bom primeiro domingo 🌹✨


